terça-feira, 9 de novembro de 2010

Uma nova força à esquerda



Uma nova força à esquerda

Rodrigo Martins 8 de novembro de 2010 às 15:24h

Com seis governadores, entre eles Renato Casagrande (foto), o PSB será influente no governo de Dilma Rousseff. Por Rodrigo Martins. Foto: Bianca Pimenta/Folhapress

 
 
Com seis governadores eleitos, o PSB emerge nestas eleições como nova força. O partido sai da disputa com o segundo maior número de governos estaduais, ao lado do PMDB e atrás apenas do PSDB- (com sete). No Senado, elegeu três parlamentares, um a mais do que a composição atual. É a legenda que mais cresceu proporcionalmente na Câmara (26%), aumentou a sua bancada de 27 para 34 deputados. Em expansão, a sigla ameaça o poder de partidos como o DEM, que chegou a ter cem representantes em 1998 (com o nome PFL) e, agora, elegeu 43 deputados.
Ainda é, no Congresso, um partido médio, com a sétima maior bancada. Mas com o peso dos governos estaduais deve tornar-se cada vez mais relevante nas articulações políticas, um cenário bem diferente de oito anos atrás, quando lutava para sobreviver à extinta cláusula de barreira, que exigia das legendas ao menos 5% dos votos para garantir representação na Câmara. Para analistas, o ex-partido nanico tem chances, inclusive, de participar de um projeto de poder alternativo ao PT em 2014. Futurologia vazia? A proximidade entre os governadores Cid Gomes e Eduardo Campos, do PSB, com o senador tucano Aécio Neves parece indicar que não.
Na avaliação do senador Renato Casagrande, governador eleito pelo Espírito Santo com 82,3% dos votos, o êxito do partido deve-se a dois fatores. Primeiro, à aliança nacional em torno da candidatura de Dilma Rousseff, que permitiu ao PSB fechar pactos importantes nos estados. Segundo, à boa avaliação dos governos de Cid Gomes, reeleito no Ceará com 62,3% dos votos, e Eduardo Campos, que ficará mais quatro anos à frente de Pernambuco, após obter a votação recorde de 82,8%.
"Estas eleições mostraram que o PSB não tem medo de governar e mostrar resultados", afirma Casagrande. "Qualquer partido, para crescer, precisa consolidar seu nome nacionalmente e garantir uma boa representação na Câmara. Entendo, no entanto, que fizemos uma boa escolha ao deixar de lançar um nome na corrida presidencial e garantir apoio nos estados."
Trata-se de uma aposta bem diferente da feita pelo PSB em 2002, quando lançou a candidatura do ex-governador do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho, à Presidência da República, em vez de participar da coligação que elegeu Lula. O partido havia aberto as portas a Garotinho dois anos antes, quando o político abandonou o PDT após entrar em choque com Leonel Brizola. O novo quadro ficou em terceiro lugar na corrida presidencial. Ajudou a eleger a mulher, Rosinha Garotinho, ao governo do Rio, e o PSB a superar a cláusula de barreira com a eleição de 22 deputados. No ano seguinte, trocaria o PSB pelo PMDB, levando consigo 12 parlamentares.
Desde o início, importantes nomes do partido mostraram-se refratários ao ingresso de Garotinho no PSB. "De fato, ele não tinha o menor vínculo de identidade com o partido. O PSB perdeu a chance de se aliar à candidatura Lula já no primeiro turno. Se o fizesse, talvez o presidente não precisasse de um leque de alianças tão largo e hetereogêneo, que veio, no futuro, a lhe causar problemas e que impediu o Brasil de avançar mais", avalia a deputada federal Luiza Erundina (PSB-SP).
Um dos principais ideólogos do partido, Roberto Amaral, vice-presidente do PSB e ministro de Ciência e Tecnologia no -primeiro mandato de Lula, avalia que o episódio não deixou marcas negativas. "O PSB não apoiou Sarney, Collor, Itamar Franco nem FHC. Mesmo quando lançamos a candidatura Garotinho, apoiamos Lula no segundo turno. Nossos ideiais continuam os mesmos", afirma. De acordo com ele, um dos principais desafios do partido, agora, é garantir uma maior inserção do partido no Sudeste. "Somos muito fortes no Nordeste. As reeleições de Cid Gomes e Eduardo Campos comprovam isso. A expressiva votação de Casagrande no Espírito Santo nos dá um alento, mas a verdade é que ainda não tivemos êxito no que chamo de 'Triângulo das Bermudas', isto é, São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro."
Amaral insiste que o PSB deve caminhar na articulação de um bloco de esquerda na Câmara, capaz de dar apoio, mas também pautar as políticas públicas. "Se apoiamos Lula e Dilma, é porque vimos pontos de convergência. Só que o PSB também tem um projeto." Quanto às especulações em torno de uma possível aproximação com Aécio, mostra-se reticente. "Você fala em nomes, Cid Gomes, Eduardo Campos… Eu falo em partido. Além disso, não vejo tanta diferença entre Aécio e Serra. Não vejo essa 'oposição progressista' ou menos raivosa de que tanto falam."
De acordo com o cientista político Leo-nardo Avritzer, pós-doutor pelo Massachusetts Institute Of Technology (MIT, dos Estados Unidos) e professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), a aposta numa nova oposição capitaneada por Aécio e líderes do PSB é bastante factível. "Se o PSDB aprender a lição das urnas, o centro do partido deverá se deslocar de São Paulo para Minas. E, dada a proximidade de Aécio com Eduardo Campos e Ciro Gomes – por tabela com o irmão Cid Gomes –, não é delírio imaginar que desse grupo surja o adversário do PT em 2014."
Cid Gomes diz ser muito cedo especular,- mas demonstra claros sinais de sintonia com Aécio. "Tenho certeza de que nascerá um novo PSDB, sob a liderança de Aécio Neves, que poderá contribuir para a formação de um pacto de desenvolvimento para o País. Acredito, inclusive, que a Dilma pode, num gesto de benevolência, garantir que a presidência do Senado fique nas mãos de Aécio. Seria uma excelente chance para viabilizar um projeto suprapartidário de desenvolvimento", afirma.
Quanto à possibilidade de um novo partido com vistas a 2014, o governador mostra-se descrente. "A atual legislação reserva pouco tempo na tevê às novas legendas", pondera. Cid Gomes ainda reclama da pouca interlocução do governo federal com os governadores. "A verdade é que o PT não priorizou o diálogo com os governadores. Espero que isso mude. Os governadores aliados podem ajudar a mobilizar a base governista no Congresso."

Rodrigo Martins

Rodrigo Martins é repórter da revista CartaCapital há quatro anos. Trabalhou como editor assistente do portal UOL e já escreveu para as revistas Foco Economia e Negócios, Sustenta!,Ensino Superior e Revista da Cultura, entre outras publicações. Em 2008 foi um dos vencedores do Prêmio Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos.











 

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Análise: A força de Dilma

A força de Dilma é sua fraqueza e sua fraqueza é o ponto forte

Por Luciano Suassuna

 

A primeira presidenta do Brasil não fala direta e permanentemente com o Congresso e a elite, como Fernando Henrique Cardoso. Nem fala direta e permanentemente com os movimentos sociais e os cidadãos, como Luiz Inácio Lula da Silva. Dilma Rousseff chega ao principal cargo da nação sem experiência eleitoral anterior, insuflada pela popularidade do seu maior cabo eleitoral, o presidente da República, e pelo governo mais bem avaliado desde a redemocratização. Mas o que as análises apressadas classificam de dependência e tibieza na realidade camufla uma situação de força da presidenta eleita.

Se o resultado das urnas não tiver sido suficiente para desfazer a enganosa imagem de que Dilma era uma marionete de Lula, não custa lembrar sua trajetória no governo. Primeiro, pegou o Ministério das Minas e Energia ainda assombrado com o apagão do governo FHC. Refez a política energética, foi amplamente contestada, mas o fato é que desde então o Brasil cresceu sem temor de racionamento. Depois, no meio da maior crise da era Lula, o Mensalão, foi escalada para substituir aquele que era tido como todo-poderoso, o deputado José Dirceu. De lá, geriu o principal programa de Lula, o PAC, com seus projetos cheios de arestas a arredondar, dentro e fora do governo: licitações de alto valor, licenças ambientais complexas, concessões em áreas sensíveis, pressão de governadores e parlamentares aliados, interesses estaduais divergentes, rivalidades empresariais.

Quem ainda acreditava nas lendas da imaturidade e inexperiência política deve ter se assustado com a agressividade e os argumentos com que Dilma se apresentou nos debates do segundo turno. Ninguém abre 12 pontos percentuais de vantagem sobre uma biografia como a de José Serra apenas pela herança do lulismo. Dilma fez a parte dela.

Mas sua vitória é fruto, sobretudo, do processo de institucionalização do País. Trata-se de algo menos afeito às manchetes justamente porque é mais distante do personalismo, do populismo, do partidarismo e do passionalismo comuns às campanhas eleitorais. Essa institucionalização é o emaranhado de apoios políticos, de ritos legais e de técnicas de comunicação que moldam as candidaturas e, depois da apuração, impõe limites aos governos. E, nesse ponto, a presidenta eleita jogou melhor que Serra.

Com Dilma, pela primeira vez o PMDB fez uma coalizão, dividindo a chapa, compondo candidaturas estaduais, repartindo tarefas e compromissos. Essa base atraiu mais partidos que a junção PSDB-DEM, o que lhe deu mais tempo de tevê e maiores palanques regionais. Se foi importante antes, ela será vital daqui para a frente. Com dois terços do Congresso, Dilma terá a base política que nenhum presidente, nem mesmo Lula, teve depois do fim do regime militar. E, por temperamento ou prática, deverá ter, com deputados e senadores, uma relação menos pessoal que a de FHC e menos tensa que a de Lula. Sem a interlocução direta com o povo e os movimentos sociais, Dilma é mais dependente do Parlamento que Lula. Sem o traquejo parlamentar de Fernando Henrique, ela precisará de intermediários para o serviço. Isso está longe de ser ruim: preserva a presidenta para os momentos decisivos, distancia a Presidência do jogo miúdo do Legislativo e deve obrigar os partidos a ter compromissos duradouros e maiorias programáticas.

Da mesma forma, o novo governo precisará de interlocutores que estabeleçam uma relação institucional em vários outros pontos sensíveis: sistema financeiro, Igreja, MST, representações empresariais, organizações sindicais. Na área externa é razoável esperar uma diminuição da chamada diplomacia presidencial, tão ao gosto de FHC e Lula, em favor de um espaço nacional, no qual os interesses dos outros países pelo Brasil e as ambições do nosso país no mundo falem mais forte que a capacidade de sedução do presidente da República. Essa necessidade de atuar de forma institucional, com interlocutores gabaritados em cada área, não deve ser entendida como fraqueza. É nessa escolha que a presidenta terá a oportunidade de mostrar o tamanho real de um governo mais técnico, num país mais relevante. É um desafio novo a que os brasileiros ainda estão se acostumando. Americanos e europeus praticam esse jogo institucional há mais tempo (não custa lembrar, por exemplo, que graças a isso um coadjuvante ator de Hollywood foi o responsável pelo fim da Guerra Fria). Assim, Dilma pode parecer fraca porque é mais institucional que seus antecessores, mas é justamente no apoio institucional que reside a força de seu governo. Esse trabalho começa oficialmente hoje e é pelo seu bom êxito que a presidenta será avaliada.


 

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Marina critica José Serra






Marina resume situação de Serra: 'Vai perder perdendo'
Por Redação, do Rio de Janeiro
Imagem (metarquivo)
Candidata do Partido Verde à Presidência da República, Marina Silva bateu pesado no adversário José Serra (PSDB), na madrugada desta sexta-feira, ao afirmar que ele desconstruiu a própria imagem na campanha e vai "perder perdendo". Ela afirmou que Serra não preparou um programa de governo, subestimou Dilma Rousseff (PT) e se comportou "como se ele fosse falar e o mundo fosse estremecer".
– Ele vai perder perdendo, o Serra. Ele tinha toda essa imagem de uma pessoa que prima pela gestão pública, pela eficiência, e descambou para o caminho do vale-tudo eleitoral – disse Marina, na saída dos estúdios da TV Globo em Jacarepaguá, no Rio.
A senadora avaliou que Serra iniciou mal a campanha e, quando começou a cair nas pesquisas, apelou ao "promessômetro".
– Ele não tem programa, subestimou a Dilma, se preparou para ficar fazendo só o embate como se ele fosse falar e o mundo fosse estremecer. Quando não deu certo, começou a fazer um festival de promessas – afirmou.
Marina também criticou as contradições entre a imagem construída por Serra e propostas de criar  novos ministérios e duplicar o Bolsa Família.
– Criticava o inchaço da máquina pública e sai da campanha prometendo dois ministérios, isenção de impostos para tudo quanto é lado… eu não sei como é que isso se realiza. Então vai perder perdendo – prevê.

 


 

 

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

"Cansei...Basta!"




 

 "Cansei...Basta"!  Vou votar no Serra...
> 
> Cansei de ir ao supermercado e encontrá-lo cheio. O alimento está barato
> demais. O salário dos pobres aumentou e qualquer um agora se mete a comprar
> carne, queijo, presunto, hambúrguer e iogurte.
> 
> Cansei dos bares e restaurantes lotados nos fins de semana. Se sobra algum,
> a gentalha toda vai para a noite. Cansei dessa demagogia.
> 
> Cansei de ir em Shopping e ver a pobreza comprando e desfilando com seus
> celulares.
> 
> O governo reduziu os impostos para os computadores. A Internet virou coisa
> de qualquer um. Pode? Até o filho da manicure, pedreiro, catador de papel,
> agora navega...
> 
> Cansei dos estacionamentos sem vaga. Com essa coisa de juro a juro baixo,
> todo mundo tem carro, até a minha empregada. " É uma vergonha! ", como dizia
> o Boris Casoy. Com o Serra os congestionamentos vão acabar porque, como em
> S.Paulo, vai instalar postos de pedágio nas estradas brasileiras a cada 35km
> e cobrar caro.
> 
> Cansei da moda banalizada. Agora, qualquer um pode botar uma confecção. Tem
> até crédito oferecido pelo governo. O que era exclusivo da Oscar Freire,
> agora, se vende até no camelô da 25 de Março e no Braz.
> 
> Vergonha, vergonha, vergonha...
> 
> Cansei de ir a banco e ver aquela fila de idosos no Caixa Preferencial,
> todos trabalhando de office-boys.
> 
> Cansei dessa coisa de biodiesel, de agricultura familiar. O caseiro do meu
> sítio agora virou "empreendedor" no Nordeste. Pode?
> 
> Cansei dessa coisa assistencialista de Bolsa Família. Esse dinheiro poderia
> ser utilizado para abater a dívida dos empresários de comunicação (Globo,
> SBT, Band, RedeTV, CNT, Fôlha SP, Estadão, etc.). A coitada da "Veja"
> passando dificuldade e esse governo alimentando gabiru em Pernambuco. É o
> fim do mundo.
> 
> Cansei dessa história de PROUNI, que botou esses tipinhos, sem berço, na
> universidade. Até índio, agora, vira médico e advogado. É um desrespeito...
> Meus filhos, que foram bem criados, precisam conviver e competir com essa
> raça.
> 
> Cansei dessa história de Luz para Todos. Os capiaus, agora, vão assistir TV
> até tarde. E, lógico, vão acordar ao meio-dia. Quem vai cuidar da lavoura do
> Brasil? Diga aí, seu Lula...
> 
> Cansei dessa história de facilitar a construção e a compra da casa própria.
> E os coitados que vivem de cobrar aluguéis? O que será deles? 
> 
> Cansei dessa palhaçada da desvalorização do dólar. Agora, qualquer um tem
> MP3, celular e câmera digital. Qualquer umazinha, aqui do prédio, vai passar
> férias no Exterior. É o fim...
> 
> Vou votar no Serra. Cansei, vou votar no Serra, porque quero de volta as
> emoções fortes do governo de FHC, quero investir no dólar em disparada e
> aproveitar a inflação. Investir em ações de Estatais quase de graça e vender
> com altos lucros. Chega dessa baboseira politicamente correta, dessa
> hipocrisia de cooperação. O motor da vida é a disputa, o risco... Quem pode,
> pode, quem não pode, se sacode. Tenho culpa se meu pai era mais esperto que
> os outros para ganhar dinheiro comprando ações de Estatais quase de graça?
> 
> Eles que vão trabalhar, vagabundos, porque no capitalismo vence quem tem
> mais competência. É o único jeito de organizar a sociedade, de mostrar quem
> é superior e quem é inferior.
> 
> Quero os 500 anos de oligarquia autoritária, corrupta e escravizante de
> volta. Quero também os Arminios Fragas&outros pulhas, que transformaram a
> Vale e a Embratel em meros ativos para vender a preço de banana para os
> "amigos do rei". Quero de volta a quadrilha do FHC, escondendo escândalos,
> maracutaias e compra de votos no Congresso. 
> 
> Onde já se viu: nesta terra sem lei chamada Brasil, só a direita corrupta
> tem o direito de roubar! O resto tem que trabalhar duro, com salário de fome
> para que os tubarões, empresários e banqueiros, comprem seus jatinhos e
> iates além de mandarem dinheiro para paraísos fiscais. Quero o
> Serra&quadrilha fazendo pelo país o que fez com os funcionários públicos,
> professores, médicos e policiais do estado de São Paulo passarem 14 anos a
> míngua. Tem que arrebentar essa pobralhada.
> 
> Eu ia anular, mas cansei. Basta! Vou votar no Serra. Quero ver essa gentalha
> no lugar que lhe é devido. Quero minha felicidade de volta!
> 
> (Autor desconhecido)
> 






 

 

sábado, 9 de outubro de 2010

Carta aberta a Marina Silva



Carta Aberta a Marina Silva
 
Marina, você se píntou?
por  Maurício Abdalla

"Marina, morena Marina, você se pintou" – diz a canção de Caymmi. Mas é provável, Marina, que pintaram você. Era a candidata ideal: mulher, militante, ecológica e socialmente comprometida com o "grito da Terra e o grito dos pobres", como diz Leonardo.

Dizem que escolheu o partido errado. Pode ser. Mas, por outro lado, o que é certo neste confuso tempo de partidos gelatinosos, de alianças surreais e de pragmatismo hiperbólico? Quem pode atirar a primeira pedra no que diz respeito a escolhas partidárias?

Mas ainda assim, Marina, sua candidatura estava fadada a não decolar. Não pela causa que defende, não pela grandeza de sua figura. Mas pelo fato de que as verdadeiras causas que afetam a população do Brasil não interessam aos financiadores de campanha, às elites e aos seus meios de comunicação. A batalha não era para ser sua. Era de Dilma contra Serra. Do governo Lula contra o governo do PSDB/DEM. Assim decidiram as "famiglias" que controlam a informação no país. E elas não só decidiram quem iria duelar, mas também quiseram definir o vencedor. O Estadão dixit: Serra deve ser eleito.

Mas a estratégia de reconduzir ao poder a velha aliança PSDB/DEM estava fazendo água. O povo insistia em confirmar não a sua preferência por Dilma, mas seu apreço pelo Lula. O que, é claro, se revertia em intenção de voto em sua candidata. Mas "os filhos das trevas são mais espertos do que os filhos da luz". Sacaram da manga um ás escondido. Usar a Marina como trampolim para levar o tucano para o segundo turno e ganhar tempo para a guerra suja.

Marina, você, cujo coração é vermelho e verde, foi pintada de azul. "Azul tucano". Deram-lhe o espaço que sua causa nunca teve, que sua luta junto aos seringueiros e contra as elites rurais jamais alcançaria nos grandes meios de comunicação. A Globo nunca esteve ao seu lado. A Veja, a FSP, o Estadão jamais se preocuparam com a ecologia profunda. Eles sempre foram, e ainda são, seus e nossos inimigos viscerais.

Mas a estratégia deu certo. Serra foi para o segundo turno, e a mídia não cansa de propagar a "vitória da Marina". Não aceite esse presente de grego. Hão de descartá-la assim que você falar qual é exatamente a sua luta e contra quem ela se dirige.-

"Marina, você faça tudo, mas faça o favor": não deixe que a pintem de azul tucano. Sua história não permite isso. E não deixe que seus eleitores se iludam acreditando que você está mais perto de Serra do que de Dilma. Que não pensem que sua luta pode torná-la neutra ou que pensem que para você "tanto faz". Que os percalços e dificuldades que você teve no Governo Lula não a façam esquecer os 8 anos de FHC e os 500 anos de domínio absoluto da Casagrande no país cuja maioria vive na senzala. Não deixe que pintem "esse rosto que o povo gosta, que gosta e é só dele".

Dilma, admitamos, não é a candidata de nossos sonhos. Mas Serra o é de nossos mais terríveis pesadelos. Ajude-nos a enfrentá-lo. Você não precisa dos paparicos da elite brasileira e de seus meios de comunicação. "Marina, você já é bonita com o que Deus lhe deu".

Maurício Abdalla
 Professor de filosofia da UFES, autor de Iara e a Arca da Filosofia (clique para ler comentário), dentre outros.






 

 

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Casagrande assina Pacto pela Juventude e firma compromisso em valorizar políticas para jovens

Casagrande assina Pacto pela Juventude e firma compromisso em valorizar políticas para jovens

 
Membros do movimento estudantil de vários partidos estiveram reunidos na noite desta quarta-feira (22) com o Renato Casagrande, candidato ao Governo, para a assinatura do Pacto pela Juventude – documento que traça diretrizes para as políticas voltadas para os jovens brasileiros. Durante o evento, realizado em Vitória, Casagrande ressaltou que os jovens precisam de atenção especial por parte do poder público e que por isso quer fortalecer o Conselho Estadual da Juventude. 

"Se é a juventude que mais morre, que mais mata, que mais sofre as conseqüências da violência e da falta de oportunidade, de atendimento na saúde e na educação, temos que criar políticas públicas para os jovens. Por isso teremos o Conselho Estadual da Juventude e o seu fortalecimento. Queremos que um grupo de jovens capacitados ajude o Governo a elaborar esses planos", enfatizou.

Bastante aplaudido pelos presentes, Casagrande afirmou que, se for eleito, quer governar com o apoio dos jovens para tratar das principais questões dessa faixa etária da sociedade. O candidato destacou ainda alguns problemas enfrentados pela juventude.

 "Em conseqüência do elevado grau de urbanização alcançado pela sociedade brasileira os jovens estão à parte na discussão de um processo natural de desenvolvimento, valendo destacar pelo menos três deles: o baixo estímulo que as escolas atuais apresentam para os jovens permanecer nelas; as dificuldades de ingresso no mercado de trabalho e a atração exercida pelo mundo da criminalidade que já contabiliza uma parcela significativa de jovens em conflito com a lei", afirmou o candidato. 


As diretrizes do documento ainda levantam bandeiras de ações para o desenvolvimento juvenil e destacam o papel de gestores e legisladores na implementação de políticas e na estratégia de desenvolvimento nacional. 

"Se investirmos em educação de qualidade grande parte dos problemas estarão resolvidos. Nossos jovens precisam estar ocupados para que não os percamos para a criminalidade. Por isso, um grande esforço será realizado junto aos governos federal e municipais, com vista a ampliar a oferta de vagas no ensino médio e, principalmente, no ensino profissional médio e universitário. Em paralelo vamos tornar a escola mais atraente, seja revisando currículos, seja desenvolvendo novas práticas pedagógicas ou, ainda, ofertando atividades esportivas e culturais", finalizou o candidato.

O que diz o plano:

No campo da educação as metas vão desde a erradicação do analfabetismo até a expansão da universidade pública e do sistema público de educação profissional. A agenda de trabalho decente merece um ponto específico onde o combate a precarização do trabalho juvenil aparece como tema central.

 

terça-feira, 21 de setembro de 2010

PACTO PELA JUVENTUDE

Conheça mais sobre o Pacto pela Juventude: